A Casa das Caldeiras é conhecida hoje como um espaço inusitado e diferenciado para eventos. Liderando uma tendência de recuperação dos monumentos e edificações históricas, que tem ganhado recentemente força na cidade de São Paulo, a Casa das Caldeiras manteve o nome pelo qual era conhecida na época em que servia às Antigas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo.
Construída para observar impassivelmente o passar dos anos, a construção recebeu cuidados técnicos e preciosismo que representaram a filosofia de um idealista. Exemplar típico da arquitetura fabril de caráter utilitário, recebeu grandes janelas, pé-direito altíssimo, três chaminés monumentais que parecem ganhar os céus, túneis-galerias que remetem a passagens subterrâneas, fornalhas que eram alimentadas por carvão.
Observam-se três fases importantes de construção e ampliação durante o levantamento histórico da Casa das Caldeiras. A primeira fase é do nosso conhecimento através da planta encaminhada em 1923 à Prefeitura Municipal, onde desenhava-se um bloco único de alvenaria de tijolos estruturalmente portante, que foi recebendo a abertura de novos vãos. Em 1936, nova planta foi encaminhada para aprovação com ampliações e reformas, que somava uma terceira chaminé às duas existentes.
A terceira fase significativa foi submetida a aprovação da Prefeitura no ano de 1953; nas plantas lia-se uma laje de concreto armado que permitia o uso do andar superior para depósito de resíduos, novas caldeiras que obrigavam o alteamento da cobertura e mudança da mesma para uma estrutura metálica com lanternim. Introduziram-se os elementos vazados para o preenchimento do vão do novo pé-direito e um novo corpo anexo serviu para reservatório d'água.
Em 1986, acreditando na importância histórica das edificações remanescentes das Indústrias Matarazzo, o CONDEPHAAT e IPHAN, órgãos de proteção dos patrimônios históricos, arquitetônicos e artísticos nacionais, tombaram a Casa das Caldeiras e a Casa do Eletricista.
A partir da compra do terreno, pela empresa Ricci e Associados, em 1992, iniciou-se o planejamento de revitalização de todo o terreno e o estudo de viabilidade. O projeto de desenvolvimento urbano do terreno contou com a intervenção da Operação Urbana conseguindo agregar uma série de melhorias e valores para a área, concretizando o projeto de reciclagem.